quarta-feira, 22 de julho de 2009

Andarilhando

...e de vagarinho veio chegando,
como quem não quer nada e também não tem nada para dar.
Compreendeu a grandeza de se dar as mãos...

e cruzou seus dedos
Sentiu a paz de um abraço...

e cruzou os braços
Mergulhou na magia de um olhar...

e teve seus olhos fechados
Na delicia de um beijo selou sua boca com palavras cada vez mais amargas e vis.
Na produtividade de um verdadeiro trabalho em grupo se distanciou de tudo.
E na magia da colaboração, do dialogo e do querer se perdeu em ilusões.
Acordou amargo.

Viveu triste... e morreu sozinho.
Seu espírito agora vaga a procura outros que como ele são insubstituíveis,

independentes, insuperáveis.... infelizes.
Oh orgulho, encontraste companhia?

domingo, 5 de abril de 2009

NATUREZA VOLÁTIL

Após a era das luzes a cegueira permanece
A fome, a dor, a duvida permanece.
Evolução
Do nome ao código de barras
Da senzala à favelização
De carrasco a patrão
Da liberdade ao cadeado no portão
Assim a new África
Doura seus grilhões
Camufla conceitos
Pré-conceitos
Coisificam novas almas e
Dão alma às novas coisas
E saindo de nós
Vamos andando rumo ao esquecimento.

EVOLUTIVA INVOLUÇÃO

A boca aberta... seca.
A veia aberta... sangra.
A fome
O nome
A chibata
A foice
O facão
O grito
O grilhão...
O carrasco...
O cansaço...
Seu irmão
Meu irmão
Eu...
Por entre os cristais e o carmim
Correntes...
Mais uma morte em vão
E outras certamente estão por vir.
Além mar...
Outros virão
Aqui, ali, terão
Esquecimento, coisificação
Passarão como passou e ainda não bastou
Anos, anos, anos...
A tortura não passou
A vergonha não passou
Assim como não passou o sofrimento
O desalento
O sentimento
Nada bastou e ainda não basta
Almas adormecerão
Outras viverão
E outras ainda dirão NÃO.
A fome permanece
O nome favorece
A chibata
A foice
O facão
E ainda há os que pensam e acreditam
Em evolução.

SENTIMENTALIDADES

Só hoje me dei conta de que envelheci
Amadureci, como amadurece a rosa branca até tornar-se vermelha
Do vermelho a paixão, a dor, as lições, o aprendizado
Hoje me pus a avaliar com mais carinho todas as minhas conquistas
Me orgulhei das experiências adquiridas
E principalmente da sabedoria de minha nova idade
Nos fatos que não deixaram lembranças tão boas
Entendi que se tornaram novas oportunidades de recomeçar...
Decidi que irei repetir alguns acertos
Rever um pouco dos erros
E errar de novo várias outras
Do mesmo jeito,as mesmas coisas
Para no fim ter a certeza
De que valeu cada momento!
Errar e aprender
Olhar e tornar ver...
Aprender a aprender.
Conhecer
Reconhecer
Admirar-me sem que com isso
Permita que a vaidade me cegue
Rever velhos amigos
Ver novos
Resgatar esperanças
Traçar novos objetivos
Sem abandonar os velhos e ainda caros.
Acordei e descobri que não envelheci.
Amadureci.
Tudo mais... são sentimentalidades.

sábado, 21 de março de 2009

DILACERADO

Confusão mental
Turbulência
Caos
corpo em transe...
O coração dolorido
contorce a cada pulsar
o ar pesado
petrifica os pulmões
O sangue
gela as veias
O cerébro?
esse já não responde mais...
Já não existe
O corpo inerte
ouve impassivel
ao grito lancinante
da alma em desespero
LIBERDADE!!!

VIVA OS RATOS

Viva os ratos!
Por suas misérias, suas imundices e legitimidade.
Viva os ratos!
Por seus bigodes e caráter minúsculos
Por seus dentes destruidores e suas patas vis
Que na calma da noite corrompe as viceras
da cidade, espalham sua gula e dispersam
seu asco por entre aqueles que se dizem
os donos do mundo
Viva os homens, que quando ratos são mais
honrrosos,com suas mentes brilhantes e seu
caráter escravocrata, suas fomes infames
e alma egoísta, miserável, minúscula.
Viva os ratos!

DESCOBRINDO DENTRO

Dentro o real,
a cura de todos os males.
Benéfica loucura!
Sanidade em benefício
do que de mim vou descobrindo.
Des.... cobrindo.
Insana cura
Descobrindo...
Loucura
Dentro.

sexta-feira, 20 de março de 2009

O TREM

O trem segue adiante
Crianças,velhos, homens e mulheres
esperam a proxima estação
Estação da luz...
estação da cruz...
estar são.
Suas fomes, suas cores e nomes, esperam
Corpos decreptos, almas dilaceradas
Esperam adormecidas, alucinação, alienação
Mais um dia
Um enterro, uma flor, uma dor, uma partida
Outra alma descansou
Valei-me oh Justiça!
Onde estás
Por que se esconde?
E o trem?
O trem
segue
adiante...