domingo, 5 de abril de 2009

NATUREZA VOLÁTIL

Após a era das luzes a cegueira permanece
A fome, a dor, a duvida permanece.
Evolução
Do nome ao código de barras
Da senzala à favelização
De carrasco a patrão
Da liberdade ao cadeado no portão
Assim a new África
Doura seus grilhões
Camufla conceitos
Pré-conceitos
Coisificam novas almas e
Dão alma às novas coisas
E saindo de nós
Vamos andando rumo ao esquecimento.

EVOLUTIVA INVOLUÇÃO

A boca aberta... seca.
A veia aberta... sangra.
A fome
O nome
A chibata
A foice
O facão
O grito
O grilhão...
O carrasco...
O cansaço...
Seu irmão
Meu irmão
Eu...
Por entre os cristais e o carmim
Correntes...
Mais uma morte em vão
E outras certamente estão por vir.
Além mar...
Outros virão
Aqui, ali, terão
Esquecimento, coisificação
Passarão como passou e ainda não bastou
Anos, anos, anos...
A tortura não passou
A vergonha não passou
Assim como não passou o sofrimento
O desalento
O sentimento
Nada bastou e ainda não basta
Almas adormecerão
Outras viverão
E outras ainda dirão NÃO.
A fome permanece
O nome favorece
A chibata
A foice
O facão
E ainda há os que pensam e acreditam
Em evolução.

SENTIMENTALIDADES

Só hoje me dei conta de que envelheci
Amadureci, como amadurece a rosa branca até tornar-se vermelha
Do vermelho a paixão, a dor, as lições, o aprendizado
Hoje me pus a avaliar com mais carinho todas as minhas conquistas
Me orgulhei das experiências adquiridas
E principalmente da sabedoria de minha nova idade
Nos fatos que não deixaram lembranças tão boas
Entendi que se tornaram novas oportunidades de recomeçar...
Decidi que irei repetir alguns acertos
Rever um pouco dos erros
E errar de novo várias outras
Do mesmo jeito,as mesmas coisas
Para no fim ter a certeza
De que valeu cada momento!
Errar e aprender
Olhar e tornar ver...
Aprender a aprender.
Conhecer
Reconhecer
Admirar-me sem que com isso
Permita que a vaidade me cegue
Rever velhos amigos
Ver novos
Resgatar esperanças
Traçar novos objetivos
Sem abandonar os velhos e ainda caros.
Acordei e descobri que não envelheci.
Amadureci.
Tudo mais... são sentimentalidades.